
Um grupo de ítalo-descendentes se reuniu em Roma, capital da Itália, em protesto contra as mudanças drásticas e repentinas para a obtenção da cidadania italiana, anunciadas pelo governo da premiê Giorgia Meloni no fim de março.
A mobilização, que contou com cerca de 150 pessoas de diversas nacionalidades – a maioria proveniente do Brasil -, foi realizada na Piazza dei Santi Apostoli, em meio à indignação com a aprovação do decreto que restringe a transmissão da cidadania italiana por direito de sangue (jus sanguinis).
Convocada nas redes sociais por brasileiros que moram na Itália, argentinos, chilenos e paraguaios se uniram aos verde-amarelos para uma “manifestação pacífica” em um dos pontos históricos da “Cidade eterna”.
“Anche noi siamo italiani” (“nós também somos italianos”) e “Decreto della vergogna” (“decreto da vergogna”) foram alguns dos cartazes expostos pelos manifestantes, que balançaram bandeiras da Itália por toda parte.
“Vieram pessoas da Calábria e também do norte do país”, contou à ANSA Sergio Velloso, 49, que, ao lado de Andrea Ribeiro, Marcos Balan, Larissa Belantania, Cleonice Silva e Marcos Foschi, organizou o ato.
“Questionamos a inconstitucionalidade [do decreto-lei], assim como a falta de informação sobre a obtenção da cidadania italiana por aqui”, explicou o mediador intercultural, um cidadão italiano reconhecido pela antiga lei devido a um bisavô nascido no “Belpaese”.
Velloso vive com a família em Anzio, a 60 quilômetros de Roma, e é proprietário de uma agência em São Paulo que oferece serviços para reconhecimento da cidadania italiana. Além dele, sua esposa e seus três filhos também têm o passaporte italiano – o caçula, por nascimento.
Em vigor desde 28 de março, o novo texto chegou ao Senado no início desta semana e foi encaminhado à Comissão Constitucional, que analisará a medida antes de levá-la a plenário.
Similar a uma medida provisória, o decreto precisa ser aprovado pelos dois ramos do Parlamento em até 60 dias, ou seja, até o fim de maio, para se tornar definitivo.
“Terão outros protestos”, alertou o ítalo-brasileiro.