
O Senado da Itália deu sinal verde para o primeiro-ministro Giuseppe Conte conduzir negociações para aprovar uma reforma do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES), fundo da União Europeia responsável por ajudar países em crise na zona do euro, durante o próximo Conselho Europeu.
O documento obteve 156 votos a favor, 129 contra e quatro abstenções. Na semana passada, pelo menos 60 parlamentares do Movimento 5 Estrelas (M5S), que sempre se opôs à reforma, ameaçaram votar contra o governo.
No entanto, negociações da coalizão do governo fizeram a maioria dos membros do partido antissistema concordarem com a medida, autorizando o premiê italiano a aprovar as mudanças do MES.
Depois de debates acalorados, a Câmara dos Deputados aprovou a resolução por 314 votos favoráveis contra 239, enquanto que no Senado a diferença foi de 27 votos a favor. Ao todo, nove senadores do M5S não participaram da votação e outros dois – Mattia Crucioli e Bianca Laura Granato – foram contra o texto.
“Esta é uma confirmação importante da coesão da coalizão seguindo uma linha clara e próeuropeia”, afirmou o ministro da Economia, Roberto Gualtieri, em um comunicado.
A expectativa é de que Conte aprove a reforma do mecanismo europeu na cúpula desta semana.
As mudanças, que a Itália reteve por meses devido à resistência do M5S, devem ser ratificadas pelos parlamentos nacionais antes de entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022.
O Mecanismo Europeu de Estabilidade é o principal instrumento da UE para ajudar Estados que não conseguem mais pagar suas dívidas, já que os membros da zona do euro não podem imprimir dinheiro.
Em seu discurso, o primeiro-ministro da Itália ilustrou os pedidos italianos sobre o MES, lembrando que a “responsabilidade” pela ratificação da reforma caberá, em qualquer caso, ao Parlamento.
Além disso, Conte pediu “coesão máxima” em meio à turbulência dentro da coalizão “para poder continuar lutando no nível da UE”.
Segundo ele, “o debate é um sinal de vitalidade e riqueza, mas é sem dúvida saudável que seja conduzido com espírito construtivo e que não nos desvie dos nossos objetivos”.
Apesar da aprovação da resolução, a coalizão do governo ainda está dividida por causa de uma força-tarefa que Conte quer criar em relação ao Plano de Recuperação sobre como usar o dinheiro que a Itália receberá do Fundo de Recuperação da UE devido a pandemia do novo coronavírus.
A ideia incomodou o partido centrista Italia Viva (IV) do ex-premier Matteo Renzi, que afirma que tal força-tarefa minaria o papel do Parlamento