
Cerca de mil pastores e agricultores chegaram em Roma vindos da Sardenha, Lazio, Toscana, Sicília, Umbria e de outras regiões italianas, para protestar na frente do Ministério da Agricultura, em apoio à plataforma da Coldiretti, a associação que reúne os agricultores.
A Coldiretti disse em uma nota que a manifestação na capital serve para ''lidar com a grave crise do pastoreio, com iniciativas nos planos político-institucional e no de mercado, onde o leite é muito mal pago pela indústria, em níveis insustentáveis para os criadores''.
Os pastores, informa a Coldiretti, ''levaram todos os tipos de queijo pecorino produzidos nas várias regiões italianas, do romano ao siciliano, e vieram acompanhados por 'representantes' do rebanho de sete milhões de ovelhas criadas no país.
Também se denunciou o falso pecorino italiano vendido no exterior, que tira o mercado do produto original.
Os pastores também traziam inúmeras faixas e cartazes em defesa dos produtos originais. Da manifestação participaram o presidente nacional da Coldiretti, Sergio Marini e todos os dirigentes regionais da principal organização dos agricultores.
SETOR SAIRIA DA CRISE COM ½ KG DE PECORINO A MAIS –
''O consumo de só meio quilo anual a mais do original pecorino italiano por família seria suficiente para salvar o pastoreio da Itália e o valor cultural, ambiental e econômico que representa'', indica a análise da Coldiretti, apresentada durante a mobilização dos pastores, em curso em Roma na frente do Ministério das Políticas Agricolas.
A citada organização denuncia que a "ordenha de uma ovelha vale muito menos do que uma xícara de café" e que esta "contradição" ameaça a existência dos 70 mil rebanhos do país.
O estudo da Coldiretti mostra também "uma queda de 10% na exportação do pecorino nos primeiros cinco meses de 2010, devido inclusive à expansão das imitações nos mercados externos de produtos concorrentes (por exemplo o Romano cheese vendido nos Estados Unidos) que exploram indevidamente a imagem do Made in Italy. Os efeitos deste fenômeno já repercutem no mercado interno, onde se registra um aumento das importações de produtos de baixo custo e qualidade que se vendem como se fossem italianos. O volume das imitações baratas quintuplicaram (+403%) em relação a 2009".
A Coldiretti lembra também "os rebanhos de ovinos encolheram 30% nos últimos 10 anos na Itália, onde a crise em curso ameaça dizimar os cerca 70 mil existentes".
Nos últimos cinco anos a produção nacional de leite de cabras e ovelhas registrou uma tendência de queda devido à perda progressiva de rentabilidade dos rebanhos, com a remuneração do leite que seguiu uma trajetória descendente neste período.
"O pastor acorda às 5h da manhã para a primeira ordenha, que se repetirá à tarde, para obter com cada ovelha cerca de um litro de leite por dia, cujo preço atinge até 60 centésimos de euro por litro, com uma queda de 25% face a dois anos atrás, e muito abaixo dos custos de criação, próximos a € 1".
A situação não é melhor no caso da lã, especifica a Coldiretti no comunicado, com os custos da tosa e da distribuição que excedem em muito a renda; ou da carne, quando só na Páscoa aquela vendida pelo criador a cerca de € 4 o quilo foi revendida no varejo a € 10 – € 12 por quilo".