
A Internet "não nos deixa estúpidos, mas só um pouco mais ignorantes e descerebrados: estudos e especialistas concordam que a web nos faz pensar menos e nos faz perder a identidade, enquanto que o papel nos protege do Alzheimer digital", comentou o especialista em comunicação Derrick de Kerckhove durante um congresso organizado na Itália. Os participantes do encontro "Do diário ao pixel. E de volta", promovido pelo Observatório Tuttimedia, recordaram sua paixão pelas novas tecnologias, mas convidaram a refletir sobre a importância do papel, "para conter o entusiasmo excessivo, mesmo sem questionar as maravilhas da rede".
O cientista belga e professor de Sociologia da Cultura Digital na Universidade de Nápoles, exortou os Ministérios da Educação de países distintos a fazerem alguma coisa para "para proteger o papel."
Precisamos de medidas – como as tomadas "para a cultura em geral, que conscientizem as populações sobre a importância da leitura em suportes tradicionais", lembrou.
O conceito subjacente, disse Derrick de Kerckhove, é que "o leitor digital deve tomar decisões continuamente sobre quais links seguir e quais ignorar, correndo o risco de ficar totalmente desorientado". Além disso, o "cloud computing" (computação em nuvem) exterioriza suas capacidades cognitivas. Já no papel "a palavra é fixada e cresce dentro de nós".
"Hoje não temos mais memória porque estamos acostumados a tê-la fora de nosso corpo: pensamos em cloud computing como uma memória universal, onde esperamos manter cada um dos nossos segmentos de conhecimento", acrescentou ele.