
O cardeal alemão Reinhard Marx, coordenador do Conselho de Economia do Vaticano, admitiu durante a reunião episcopal convocada pelo papa Francisco para discutir o combate à pedofilia, que a Igreja Católica destruiu arquivos sobre abusos no clero.
Marx, também arcebispo de Munique e presidente da Conferência Episcopal da Alemanha, discursou para os prelados reunidos no Vaticano e defendeu mudanças no código de segredo que sempre vigorou no clero e o aumento da transparência.
“Os arquivos que poderiam ter documentado esses atos terríveis e indicado os nomes dos responsáveis foram destruídos ou nem chegaram a ser criados”, disse o cardeal, um dos aliados mais próximos de Francisco. De acordo com ele, a Igreja também agiu para silenciar vítimas, o que contribuiu para aumentar a crise e afastar fiéis.
Em seu pronunciamento, Marx citou medidas que devem ser implantadas “imediatamente”, como uma definição mais clara dos fins e dos limites do segredo pontifício e o estabelecimento de regras transparentes para processos eclesiásticos.
Além disso, pediu a “comunicação ao público do número de casos e dos relativos detalhes sempre que possível” e a “divulgação de atos judiciários”. “Não existem alternativas à transparência”, declarou. Segundo Marx, a Igreja deve inclusive contar com “especialistas externos” para aumentar a transparência.