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Premier da Itália confirma linha de trem Turim-Lyon

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, colocou fim ao braço-de-ferro entre os dois partidos da base aliada, a ultranacionalista Liga e o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), e afirmou que o governo concluirá a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade entre Turim e Lyon.

Pouco mais de quatro meses depois de ter dito que era contra a realização do projeto, Conte mudou de ideia e usou sua página no Facebook para comunicar sua decisão final. “Não fazer o TAV [trem de alta velocidade] custaria muito mais do que fazê-lo”, disse o premier.

Segundo o chefe de governo, um eventual rompimento dos contratos obrigaria a Itália a indenizar a França, cofinanciadora da obra.

“Nesse período, ocorreram fatos novos, elementos a levar em conta. A União Europeia se disse disponível e aumentar seu repasse de 40% para 55%, isso reduziria os custos”, justificou.

Conte não tem filiação partidária, mas é ligado ao Movimento 5 Estrelas (M5S), que é historicamente contra a nova linha ferroviária e inclusive governa Turim. A Liga, no entanto, defende a conclusão da obra, e seu líder, o ministro do Interior e vice-premier Matteo Salvini, havia ameaçado até derrubar o governo caso o projeto não avançasse.

“Represento um governo apoiado por duas forças políticas que pensam de maneira oposta sobre esse assunto. Há muito dinheiro em jogo, e ele deve ser administrado com máxima atenção, como faria um bom pai de família”, disse o premier.

Reações – Salvini, que vem fazendo duras críticas aos ministros do M5S, especialmente o dos Transportes, Danilo Toninelli, responsável pelo projeto Turim-Lyon, comemorou a decisão de Conte, mas lamentou o “tempo perdido”. “O TAV será feito, como a Liga sempre pediu. Agora precisamos correr para destravar todos os outros canteiros parados”, afirmou.

No M5S, no entanto, já começam a surgir reações negativas. “Um governo que inclui o M5S autoriza o TAV? Inaceitável”, declarou a integrante da Assembleia Legislativa do Piemonte Francesca Frediani, ligada ao “Movimento No TAV”, que há anos tenta impedir a obra.

Já o líder do M5S, Luigi Di Maio, disse que seu partido ainda considera o projeto “danoso” e tentará bloqueá-lo no Parlamento.

“Será o Parlamento, em sua centralidade e soberania, a decidir sobre um projeto de quase 30 anos”, declarou. Todos os outros grandes partidos da Itália são favoráveis à obra.

O projeto – O novo ramal ferroviário terá 270 quilômetros de extensão e será o anel central do chamado “Corredor Mediterrâneo”, um dos nove eixos da rede de transportes na União Europeia.

O trecho fronteiriço de 65 quilômetros, entre Susa, na Itália, e Saint-Jean-de-Maurienne, na França, já está em construção, ao custo de 8,6 bilhões de euros. Os recursos para a obra são repartidos entre a Comissão Europeia (40%) e os governos italiano (35%) e francês (25%), mas Conte anunciou que a UE aumentará seu percentual para 55%.

Estimativas divulgadas por jornais italianos indicam que as indenizações ligadas a um eventual cancelamento do projeto custariam cerca de 2 bilhões de euros ao país. Até o fim do ano, França e Itália devem realizar as licitações para os trechos nacionais da linha, que custarão 5,5 bilhões de euros.

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