
O ex-ministro do Interior da Itália Matteo Salvini afirmou que sua decisão de bloquear o navio “Open Arms”, da ONG espanhola Proactiva, com 150 migrantes a bordo no ano passado, foi acordada com o primeiro-ministro Giuseppe Conte.
A declaração do líder da extrema direita italiana é dada um dia antes do Senado realizar uma votação para determinar se ele será julgado por sequestro por impedir o desembarque dos migrantes.
“Atuei em defesa do meu país e o que fiz foi na companhia do primeiro-ministro Conte. Cumpri o que estava no programa do governo e não acho que tenha um erro ou crime”, alegou Salvini, durante coletiva de imprensa na Câmara dos Deputados.
Em agosto de 2019, o político italiano bloqueou o navio humanitário durante 20 dias na ilha de Lampedusa, até que um tribunal ordenasse o desembarque de urgência dos 151 deslocados internacionais.
Na ocasião, o então ministro do Interior do país europeu endureceu as regras contra migrantes e promoveu uma forte política de portos fechados para os navios de organizações humanitárias no Mediterrâneo central.
O caso gerou polêmica em toda a Itália e fez o Tribunal dos Ministros de Palermo, que analisa crimes cometidos por membros do governo, abrir um processo contra Salvini sob a acusação de sequestro de pessoas e abuso de poder. No entanto, é preciso primeiro ter sua imunidade parlamentar retirada.
Em maio deste ano, a Junta de Imunidade Parlamentar do Senado recomendou a rejeição da denúncia, mas a decisão final caberá ao plenário do Senado.
Caso a maioria aceite a retirada da imunidade de Salvini, o Tribunal de Ministros levará o caso à justiça comum, ou seja, ao Tribunal de Catânia. Com isso, o Ministério Público local deverá decidir por quais crimes ele será indiciado, e, na sequência, o juiz de audiência preliminar resolverá se vai abrir um julgamento formal contra o ex-ministro.
“Estou absolutamente calmo e sereno: as cartas são claras . Não preciso apelar para ninguém. Espero que os senadores votem conscientemente. Quero ver se o Movimento 5 Estrelas (M5S) dirá que concordou, como está escrito em preto e branco, ou se vai querer ir adiante com um processo político”, enfatizou Salvini.
O líder da extrema direita ressaltou que “não espera nada de ninguém” porque os “documentos são claros”, principalmente por ter agido “em defesa da nação e na companhia do premier Conte”.
Por fim, Salvini criticou novamente o governo italiano dizendo que “o único estado real de emergência, além das fantasias de Conte, está ligado à invasão de migrantes”. “A defesa da Itália não é um crime: tenho orgulho disso, faria de novo e vou fazer de novo”, finalizou.