
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou que "agora a guerra acabou", ao comentar a notícia da morte do ditador líbio, Muammar Kadafi. Berlusconi ficou sabendo da captura do líder líbio durante uma reunião com membros do seu partido, o Povo da Liberdade (PDL).
De acordo com pessoas presentes no encontro, o premier teria afirmado que "agora a guerra acabou" e "sic transit gloria mundi", uma expressão em latim que significa "assim passa a glória do mundo", mas que constantemente é interpretada como "as coisas mundanas são passageiras".
Já o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, disse que o fim do regime de Kadafi representa "uma grande vitória do povo líbio".
"A Líbia está definitivamente libertada, pode-se constituir aquele governo líbio que todos nós esperamos para ir em direção às eleições democráticas", comentou o chanceler.
A Líbia, que foi ocupada pela Itália por cerca de 30 anos, possuía vários acordos com Roma firmados durante o regime de Kadafi.
Um dos principais tratados refere-se à imigração e foi assinado em 2008. Com ele, Trípoli ficava responsável por auxiliar no combate às saídas de imigrantes ilegais de sua costa marítima e se responsabilizava também por repatriar os refugiados para seus países de origem.
Nos últimos anos, Kadafi fez uma série de viagens à Itália, como em junho de 2009 e agosto de 2010. Nas ocasiões, o líbio proclamou uma nova era nas relações entre os dois países, que, porém, ficaram abaladas com as revoltas populares.
Após o início da Primavera Árabe, Frattini disse que a "ruptura" entre o governo de Berlusconi e o de Kadafi foi "terrível", pois o premier o considerava um amigo e "depois o viu matar mulheres e crianças".
A Itália é um dos países que formam a missão militar internacional na Líbia aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas com o objetivo de proteger os civis.
Em abril, o governo italiano anunciou o reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, formado por rebeldes.